Geral Emerson Zanon Granemann em 01 Mar 2008
Caos cartográfico brasileiro
Caos cartográfico brasileiro
Segundo a Sociedade Brasileira de Cartografia, apenas 1,3% do território brasileiro está mapeado na escala 1:25.000, ideal para planejamento. Há dezenas de anos o governo brasileiro não tem ao menos um projeto para melhorar esta situação, apesar dos esforços da equipe técnica do IBGE, orgão oficialmente encarregado do mapeamento nacional e da CONCAR, comissão que reúne ministérios e forças armadas e é responsável pela normatização e estabelecimentos de politicas públicas no setor.
As palavras chaves no processo são: otimizar recursos e multi aplicações, pois os mapeamentos quando bem executados e atualizados servem para vários tipos de usos. Sem um mapeamento deste tipo um país não pode planejar seu crescimento de forma adequada.
A editora MundoGEO, através de suas revistas InfoGEO e InfoGNSS – Geomática e do portal MundoGEO está convidando a comunidade a abrir um grande debate para achar uma solução para esta situação. Listamos abaixo vários questionamentos que podem orientar esta mobilização e auxiliar na construção das soluções para esta questão de abandono da área:
a) Quanto o país desperdiça em recursos, tendo que contratar mapeamentos isolados para projetos específicos ?
b) Quais as situações de outros países em relação a este tema ?
c) Quais as melhores alternativas tecnológicas para este mapeamento ser realizado ?
d) Quanto custaria este trabalho e quanto tempo seria necessário para ele ser concluído ?
e) Quantos empregos diretos este trabalho geraria no mercado brasileiro de mapeamento ?
Toda a cadeia produtiva do setor seria beneficiada além dos usuários do setor público e privado que teriam os mapas à sua disposição para executar seus projetos. Os profissionais da área de geomática teriam um mercado mais aquecido e as aplicações da geoinformação cresceriam com certeza.
Para avançar neste projeto batizado de “Vamos mapear o Brasil” de mobilização nacional, planejamos utilizar vários canais:
1- Espaço aberto nas revistas InfoGEO e InfoGNSS- Geomática;
2- Divulgação desta mobilização no blog e no fórum on-line do portal MundoGEO, além de disseminação em outras comunidades on-line no Brasil.
3- Painel sobre o tema no GEO Brasil 2008 em julho em São Paulo deste ano.
4- Matéria de capa da revista InfoGEO 10 anos – Edição Especial, com tiragem ampliada de 10.000 exemplares que será distribuída em bancas e livrarias.
5- Produção de releases para distribuição à imprensa brasileira.
6- Elaboração de artigos assinados sobre o tema para distribuição à imprensa brasileira
7- Realização de um seminário específico sobre o tema no segundo semestre de 2008
8- Elaboração de documentação registrando recomendações e apontando alternativas.
9- Entrega desta documentação às entidades governamentais.
10- Divulgação da documentação na internet.
Reitero que esta artigo é o primeiro de muitos que com certeza virão de outros autores. Esta mobilização transcende associações, eventos, revistas, empresas e profissionais como seus autores. Transformar este esforço num projeto e obter mais investimentos para a cartografia nacional trará benefícios para todos, tanto para quem produz, mas principalmente para quem necessita destas informações atualizadas e com fácil acesso.
Convocamos a comunidade: empresários, associações afins de empresas e profissionais, instituições governamentais e universidades a fazerem parte desta mobilização.
O espaço está aberto. Vamos mapear o Brasil ????? Dissemine esta idéia para seus colegas e nas comunidades on-line que participa.
Emerson Zanon Granemann
Publisher da revista InfoGEO.
emerson@mundogeo.com
em 27 de Março de 2008 @ 16:14 1.HGT - Adriano Huguet disse:
Parabéns ao Emerson e a toda a equipe da MundoGeo pela coragem em abordar este tema tão importante na atual conjuntura de crescimento de nosso país. Devemos todos empunhar esta bandeira e consagrar o mapeamento do nosso solo como instrumento de desenvolvimento e soberania nacional! Já existem as soluções tecnológicas necessárias para mapeamentos de precisão em larga escala. Vamos nos mobilizar para efetivar esta idéia.
Vamos mapear o Brasil!
Adriano Huguet
HGT Geoprocessamento
em 6 de Maio de 2008 @ 14:23 2.Emerson Zanon Granemann disse:
Texto publicado na revista InfoGNSS Geomática edição 23 – Seção Vamos Mapear o Brasil
Mapoteca Digital Nacional 2.0
Concar coloca ordem no mapeamento sistemático
Esta nova seção da Revista InfoGNSS é um espaço reservado para a divulgação de iniciativas e esforços que estão sendo realizados para o mapeamento do Brasil, tanto pelo poder público como por empresas privadas, ONGs e instituições de ensino.
Infelizmente, o mapeamento sistemático do território brasileiro foi descontinuado, e o pouco que está mapeado carece de atualização. Segundo a Comissão Nacional de Cartografia (Concar), apenas 14% do Brasil tem cartas na escala 1:50.000, e aproximadamente 1% na escala 1:25.000. Conforme pode-se ver na tabela abaixo, o vazio cartográfico é enorme.
MND
Ao final do ano passado, a Concar homologou a segunda versão da especificação técnica para a estruturação de dados geoespaciais vetoriais da Mapoteca Nacional Digital (MND).
Como um dos componentes da estruturação de dados cartográficos do mapeamento sistemático terrestre e parte da Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE), a MND tem o objetivo de padronizar estruturas de dados e tornar possível o compartilhamento de dados, a interoperabilidade e a racionalização de recursos entre os produtores e usuários de dados e informação cartográfica.
A MND é um conjunto de dados geoespaciais devidamente estruturados, seus Bancos de Dados Auxiliares (BDA) e os seus metadados, armazenados em repositórios distribuídos e compartilhados, referentes ao espaço geográfico brasileiro. As especificações divulgadas recentemente abrangem os dados vetoriais e alguns BDA.
Os dados geoespaciais do mapeamento sistemático básico, produzidos pelos órgãos federais integrantes do Sistema Cartográfico Nacional (SCN), serão incorporados à MND. Os dados elaborados por terceiros, após serem submetidos à auditoria técnica por autoridade competente, e se considerados compatíveis com os padrões estabelecidos, também poderão ser incorporados.
A adoção permitirá a manutenção da integridade estrutural dos dados e, conseqüentemente, a interoperabilidade dos mesmos. O uso dos dados, pelos vários participantes da INDE, independe de plataformas de aplicativos, e gera significativa economia de tempo e otimização de recursos.
A íntegra das especificações técnicas para a estruturação de dados geoespaciais (arquivo zip de 9,56 mb) pode ser acessada em www.concar.ibge.gov.br/MND2007
A especificação, na versão 2007, é o marco inicial para a obtenção de um padrão de estrutura de dados espaciais para o mapeamento sistemático brasileiro, e possibilitará a criação de repositórios de dados geoespaciais distribuídos nacionalmente, que formarão a Mapoteca Nacional Digital.
Se a sua instituição está realizando o mapeamento de alguma região do Brasil, ou vai iniciar um projeto, envie mais detalhes para editorial@mundogeo.com
Eduardo Freitas Oliveira
Editor da Revista InfoGNSS Geomática
eduardo@mundogeo.com
em 6 de Maio de 2008 @ 14:24 3.Emerson Zanon Granemann disse:
A repercussão da iniciativa no mercado brasileiro de geotecnologia
O artigo publicado na edição 51 da revista InfoGEO, sobre a iniciativa “Vamos mapear o Brasil?”, rendeu comentários enviados por e-mail e também publicados em listas de discussão sobre geotecnologias. O objetivo do projeto é incentivar as instituições públicas e privadas envolvidas com geoinformação a pensar sobre quanto o país perde por não ter uma base cartográfica completa e confiável.
Veja abaixo algumas considerações sobre a iniciativa. E aí, vamos mapear o Brasil?
“O tema é realmente muito importante para o desenvolvimento de inúmeras ações e efetivação de projetos relevantes, tanto no segmento público como privado. Isso porque está diretamente relacionado às questões de infraestrutura (tema bem atual), que envolve vários segmentos de serviços em setores importantes e em crescimento e que demandam informações atualizadas e mais detalhadas, seja para disponibilizar os serviços ou para o gerenciamento destes, no caso das agências reguladoras”.
Iara Musse Felix
Intare - Consultoria em Gestão da Informação
“Os objetivos estão nas mentes dos especialistas em cartografia, e com certeza praticamente já escritos no papel. A tecnologia (satélites, sistemas, ferramentas, computação, grafismo, profissionais, empresas, etc.) existe, é acessível e só tende a melhorar, baratear e se democratizar, e acredito que os recursos financeiros igualmente (não obrigatoriamente vindos do setor público). Basta vontade e força política de fazer acontecer.
Mas não acredito que órgãos públicos no Brasil devam propriamente se encarregar de fazê-lo. Basta que facilitem a tarefa. Devem sim ser aproveitados os trabalhos já feitos e os acervos do Exército, do IBGE, a experiência da Embrapa Monitoramento por Satélite e do Inpe, entre muitos outros.
Na minha opinião, seria tarefa do setor privado, para garantia de meios e finalidade. Haverá oportunidades para todos participarem, e as opções são muitas: parcerias público-privada para criar, atualizar, imprimir e distribuir digitalmente e analogicamente a cartografia base nos próximos anos; um programa de aceleração do crescimento específico da cartografia, com incentivos e metas; e uma empresa privada S.A., quotada em bolsa, com executivos e profissionais de alto nível com a missão de realizar essa tarefa e fazer disso um negócio comercial para quem usará comercialmente os resultados. O objetivo final é colocar a cartografia padrão ao alcance de todos, a baixo custo, sem elitizar ou restringir o seu acesso, para todos os usuários e usos.
Porém, isso não quer dizer que não seja uma atividade sem rentabilidade. Há retornos inimagináveis no desenvolvimento de cartografia atualizada, sejam ambientais, industriais, rurais, urbanos, logísticos, financeiros, etc.. Ou seja, é certamente sustentável, e não se trata de investir a fundo perdido, além de ser indispensável!
O brasileiro, em termos gerais, tem que ser instruído para tirar melhor proveito no dia-a-dia das informações que lhe fornece a cartografia. Mas para isso o Brasil tem que investir. Não tem segredo, só se colhe o que se planta!
As opiniões formuladas acima são pessoais. A minha especialidade são imagens de satélites, e posso nas minhas palavras ter cometido algum erro ou engano, sem intenção de prejudicar, difamar ou subestimar quem quer que seja. Apóio a iniciativa e gostaria de participar ativamente. As minhas atitudes serão sempre construtivas e positivas, e estou seguro igualmente de que imagens de satélites são um dos principais insumos para a cartografia.”
Laurent Martin
Engesat Imagens de Satélites
Entendo ser o assunto totalmente pertinente no atual momento, com as discussões a nível nacional do PAC (será que há cartografia nos projetos)? No Paraná, iniciamos uma discussão na Câmara Técnica de Cartografia e Geoprocessamento (CTCG) visando sensibilizar o Governo Estadual para a questão e apresentar alternativas de soluções técnicas e econômicas para os possíveis investimentos em informação cartográfica. Mesmo o Estado do Paraná, que é tido como bem mapeado no cenário nacional, ainda tem muitas carências nessa área.
Gislene Lessa
Instituto de Terras, Cartografia e Geociências do Paraná
em 6 de Maio de 2008 @ 14:25 4.Emerson Zanon Granemann disse:
InfoGNSS Geomática 23 - Seção Vamos Mapear o Brasil
O Incra como um centro de disseminação de informação cartográfica
No Incra, estamos sentindo os reflexos da política que foi adotada, no passado, no mapeamento sistemático do país: cartas topográficas na escala de 1:100.000, sendo boa parte delas produzida no período de 1960 a 1980, e não atualizadas até hoje.
Os profissionais que executam o georreferenciamento de imóveis rurais, e que buscam a certificação do seu trabalho junto ao Incra, encontram muita dificuldade na determinação de coordenadas em áreas de difícil acesso. Vegetação ribeirinha, indefinição da margem dos cursos d’água, área encharcada, relevo movimentado, tudo isso dificulta sobremaneira a determinação de coordenadas nesse tipo de região.
Um mapeamento na escala de 1:25.000, por exemplo, que permitisse obter coordenadas a partir de sua representação hidrográfica, resolveria boa parte dos problemas.
Do ponto de vista cadastral, essa escala não seria adequada, mas permitiria que todos, inclusive o Incra, convergissem para uma referência hidrográfica única.
Não imagino que, hoje, tenhamos recursos para produzir mapeamento sistemático em escalas cadastrais, como 1:5.000 ou mesmo 1:10.000, por técnicas convencionais, mas acho que a escala de 1:25.000 está ao nosso alcance se lançarmos mão de métodos alternativos.
O Incra já esta trabalhando no desenvolvimento de um mapeamento hidrográfico de referência, através de um projeto piloto em duas glebas públicas federais, no Estado de Roraima, utilizando imagens de satélite de média resolução como uma das fontes. O assunto ainda está na fase embrionária, mas pode ser um caminho.
Embora não tenhamos concluído os estudos referentes ao custo dessa operação, acreditamos que ele ficará bem abaixo daquele que teríamos se recorrêssemos a técnicas convencionais. A produção de mapeamento sistemático a partir de imagens orbitais pode ser uma alternativa mais rápida, e conseqüentemente mais barata. Resta saber se os resultados obtidos serão aceitáveis, do ponto de vista cartográfico.
O Incra, como entidade cadastral, deverá em um curto espaço de tempo transformar-se em um centro de disseminação de informação cartográfica, fundiária e cadastral do meio rural brasileiro. O Serviço de Certificação de Imóvel Rural, a manutenção do Sistema Nacional de Cadastro Rural (SNCR), o Cadastro Nacional de Terras Públicas e o Cadastro Nacional de Imóvel Rural (CNIR), todos com abrangência nacional e que se encontram sob a nossa gestão, tornam inevitável que o Incra venha a assumir essa condição. Por outro lado, não há como alcançar esse estágio se a carta básica do país permanecer como se encontra.
Para que o mapeamento sistemático brasileiro possa ser melhorado, entretanto, é fundamental que a infraestrutura geodésica seja recuperada. O Incra vem contribuindo decisivamente para isso e investiu, no ano de 2007, recursos orçamentários próprios de cerca de 3,2 milhões de reais na aquisição das 80 estações de referência que hoje constituem a totalidade das estações da RIBaC/RBMC. Essas duas redes foram unificadas a partir dessa operação, e seus dados podem ser acessados, simultaneamente, pelo site das duas instituições. Ademais, estamos transferindo, anualmente, recursos orçamentários ao IBGE, que somente no ano passado chegaram a mais de 600 mil reais. Neste ano, essa transferência deve atingir a mesma cifra. Tudo isso está sendo utilizado na recuperação das redes estaduais GPS, integrantes da rede geodésica fundamental brasileira. Esse projeto, desenvolvido conjuntamente pelas duas autarquias, e que é suportado por um Termo de Cooperação Técnica, deverá estar concluído até meados de 2010.
Vamos continuar nessa direção, embora não seja competência do Incra investir em mapeamento básico ou trabalhar na recuperação de infraestrutura geodésica. É impossível realizar a nossa tarefa institucional efetivamente, sem que o cenário cartográfico brasileiro seja melhorado.
Todas as iniciativas que vierem a contribuir para a fidedignidade das informações cartográficas do meio rural brasileiro serão apoiadas pelo Incra. A melhoria do mapeamento sistemático, e se possível cadastral, fazem parte da nossa estratégia.
Edaldo Gomes
Engenheiro cartógrafo
Coordenador Geral de Cartografia do Incra
edaldo.gomes@incra.gov.br
em 6 de Maio de 2008 @ 14:25 5.Emerson Zanon Granemann disse:
InfoGEO 52 – Carta ao Leitor
Vamos mapear o Brasil?
Mobilização cresce
Está começando a ganhar corpo a mobilização iniciada na edição passada, de organizar a comunidade para debater e apontar caminhos para o mapeamento do país. Além de divulgar o tema no blog, no fórum de discussão do Portal MundoGEO e na Revista InfoGEO, as principais listas de discussão na internet também já estão discutindo o assunto.
Eu mesmo enviei uma mensagem para a minha base de relacionamento e obtive vários comentários. Novamente, gostaria de deixar claro que esse movimento que estamos iniciando tem o objetivo de criar uma mobilização que reúna profissionais e instituições dos setores públicos, privados e de ensino. O assunto não é novo, mas vem há muito sendo discutido nas esferas governamentais, particularmente na Comissão Nacional de Cartografia (Concar), em congressos e em vários encontros da comunidade de geoinformação.
Infelizmente, décadas têm passado e nada de efetivo acontece. Quais são as barreiras? O que pode ser feito para transformar essa mobilização em um projeto de retomada de investimentos públicos no setor? Qual o papel das empresas produtoras de dados geográficos no processo? Como o governo pode incluir no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) investimentos na construção de uma base cartográfica, que possa ser usada por vários usuários? Estas são perguntas que se somam às já divulgadas no texto que lançou a idéia, tanto na revista como na internet.
Sua participação nessa mobilização é muito importante. Envie sua opinião e apóie esse esforço que fará toda a cadeia produtiva do setor crescer. Uma base de informações atualizada e de fácil acesso vai gerar grandes benefícios e economia ao Brasil. Os planejadores vão agradecer muito e o setor econômico vai lucrar com a diminuição dos mapeamentos sobrepostos. Afinal, devemos enterrar as expressões comuns como “colcha de retalhos”, “vazio geográfico” e “caos cartográfico”.
Painel no GEO Summit 2008
Além de várias ações previstas para este ano, que podem ser consultadas no blog sobre o tema no portal, está confirmado um painel no dia 15 de julho, dentro da programação do GEO Brasil 2008, congresso que acontece em São Paulo e faz parte do evento GEO Summit Latin America. Nesse painel, será apresentado um panorama sobre o assunto, as experiências no Brasil e em outros países, e algumas alternativas para a execução desse trabalho, utilizando os modernos recursos
Emerson Zanon Granemann - Diretor MundoGEO
em 6 de Maio de 2008 @ 20:39 6.Ayrton Wolff Junior disse:
Engenheiro Cartógrafo Emerson!
Somente quem lhe conhece há mais de 25 anos, como eu, só pode manifestar o apoio irrestrito à sua convocação e colocar-me ao seu inteiro dispor para colaborar em tudo o que estiver ao meu alcance.
Ayrton Wolff Junior - FORTALEZA/CE
em 7 de Maio de 2008 @ 11:24 7.Emerson Zanon Granemann disse:
Fórum para mapear o Brasil ?
A falta de uma política cartográfica no Brasil é antiga. Apesar do novo momento, com novos atores, novas alternativas tecnológicas o problema teima em persistir. A idéia é criar um espaço para reunir profissionais e empresas públicas e privadas para juntos discutir a questão e buscar soluções.
A responsabilidade de propor soluções para um desafio desta natureza não é apenas do governo. A complexidade do tema transcende respostas imediatistas e simplistas, como: “o trabalho é muito caro e o país tem outras prioridades” ou uma questão de buscar culpados e jogar responsabilidades para governos ou grupos.
Temos que compreender que esta é um questão que afeta toda a comunidade: empresas públicas, privadas usuárias e produtoras de dados geográficos além é claro dos profissionais e dos acadêmicos. Logo todos devem assumir suas responsabilidades.
O debate tem que envolver todos os projetos que já existem no Brasil que são diretamente relacionados a esta questão tanto sob o ponto de vista de normatização como de produção de mapeamentos isolados. Experiência locais, regionais e internacionais devem ser conhecidas e avaliadas.
Todo o processo tem que ser sistematizado, para que se registrem as descobertas e se disseminem as informações. Esta mobilização tem também que ser blindada em relação a vícios ideológicos ou corporativistas.
Entre no Blog ou no fórum do portal MundoGEO para conhcer mais detalhes sobre a mobilização e a opinião de outros colegas.
Emerson Zanon Granemann
Diretor e Publisher – MundoGEO
emerson@mundogeo.com 41-3338-77-89
em 8 de Maio de 2008 @ 08:44 8.Hugo Roesch disse:
Vejo com preocupação, o estado de abandono e desprestigio com o qual está relegado o IBGE.
Ouço de funcionários, que durante o atual governo, os equipamentos foram sendo sucateados, e que não há nada para fazer durante o expediente…
As excelentes cartas topográficas, nas diversas escalas, estão desaparecendo das bibliotecas das unidades regionais…
Acredito que o IBGE está prescisando de um aliado no congresso.
em 8 de Maio de 2008 @ 14:48 9.Emerson Zanon Granemann disse:
Prezado Hugo,
De uma forma geral, vários governos vem se alinhando na prática de não investir o que deveriam em levantamentos de dados. As informações censitárias até que vem sendo atualizadas, mas a questão cartografica é crítica. Não dá mais para ficar colocando a culpa no governo, nem muito menos no IBGE. Na minha opinião está questão tem que ser enfrentada por todos nós. Universidades, empresas públicas e privadas usuárias e produtoras de dados geográficos.
Desta forma pode-se criar uma pressão junto ao legislativo e executivo para que a situação se modifique.
em 8 de Maio de 2008 @ 14:58 10.Emerson Zanon Granemann disse:
Desafio: Elogie, critique ou envie suas sugestões - Vamos mapear o Brasil ?
Gostaria de propor um desafio aos interessado em ver esta situação mudar. Gostaria de receber neste BLOG respostas as 3 seguintes perguntas:
1) Quais as experiências de sucesso em outros países sobre este tema ?
2) Quanto o Brasil perde pela falta destas bases cartográficas e quanto se gasta com mapeamento sobrepostos ?
3) Quais as opções tecnológicas a serem usadas para este enorme esforço de mapeamento nacional ?
4) Quais as experiências de sucesso aqui mesmo no Brasil ?
Com a palavra, os profissionais de mercado e os acadêmicos.
Noto que este assunto tem despertado muito interesse, pois é sempre tema de debates em congressos, lista de discussão e rodadas de cerveja.
Esta na hora entretanto das discussões sairem dos corredores e barzinhos para virarem conversa séria. Estou recebendo muitos emails a respeito.
Esta faltando as pessoas tomarem coragem, entrarem no Blog e registrarem suas sugestões e críticas a esta mobilização.
em 8 de Maio de 2008 @ 15:01 11.Emerson Zanon Granemann disse:
Caos cartográfico brasileiro
EDMILSON MARTINHO VOLPI03 Mar 2008 as 15:24h.
Caro Emerson
Já está mais do que na hora de se fazer alguma coisa quanto ao mapeamento sistemático deste país. Hoje já discutimos métodos e normas para mapeamento em grande escala (como as normas para georreferenciamento de imóveis rurais, uma nova norma em estudo para cadastro urbano, proposta da ABNT para normas para mapeamento em escalas 1:10.000 e 1:15.000, etc.) e o mapeamento sistemático, que é a base para o planejamento do país, parece que não recebe mais atenção (ou investimento) de nenhum órgão.
Hoje temos somente 100 % do território mapeado na escala 1:1.000.000 dentro do Mapemaento Sistemático. Isso sem contar a atualização das cartas já existentes !Então, há muito trabalho a ser feito !Como o governo poderá planejar eixos de desenvolvimento para o nosso país, se não há bases cartográficas sobre as quais os projetos possam ser executados ? Como fazer ? Cada órgão produzir sua própria base cartográfica ? E o ônus disso ?Vamos mapear o Brasil !
Edmilson Volpiv - Engenheiro Cartógrafo
em 12 de Maio de 2008 @ 22:13 12.Emerson Zanon Granemann disse:
Nasce um novo conceito de cartografia. Esqueça o que as escolas ensinam, o que vale é o que o usuário quer,
Vou lhes contar um segredo. Estive ouvindo alguns colegas e refletindo sobre o tema “Vamos mapear o Brasil”. Parece que estamos prestes a mudar paradigmas e descobrir novos modelos para definir o melhor tipo de mapeamento que o Brasil precisa. Ou melhor que é o tipo de mapeamento que os usuários realmente desejam.
Existem algumas perguntas que não querem calar e estão sem respostas. Gostaria de receber algums opiniões a respeito:
1) Qual sua opinião sobre os termos “caos cartográfico” e “vazio cartográfico”, normalmente atribuídos a momento atual da cartografia brasileira ? Será que a situação é mesmo feia deste jeito ?
2) O Brasil que tem 1,3 % do território nacional mapeado na escala 1:25.000, realmente precisa deste mapeamento ?
4) Qual sua opinião a respeito ? Estamos diante de uma mudança de paradigma ? Face as tecnologias disponíveis e as demandas dos usuários, você diria que não há mais espaço para a cartografia sistemática, da forma como a conhecemos ?
5) Dentro desta linha, os avanços das IDEs, permitem organizar os dados existentes e auxiliar a sepultar este conceitos antigos do governos ter que contratar projeto milionários para mapear o Brasil ? Você acha que não deve-se esperar mais por este tipo de projetos ? A solução é cada usuário fazer o seu mapa segundo um padrão de interoperabilidade e depois disponibiliza-los via os portais de geo para quem desejar usá-los ?
Com a palavra a comunidade …..
em 14 de Maio de 2008 @ 16:27 13.Nelson Marisco disse:
Prezados
Creio que tenho que me manifestar, uma vez que começa a tomar forma a
discussão, e questões que tinha para fazer e respostas a dar a outras se
apresentam…
Vamos lá
1) Qual sua opinião sobre os termos “caos cartográfico” e “vazio
> cartográfico”, normalmente atribuídos a momento atual da cartografia
> brasileira ? Será que a situação é mesmo feia deste jeito ?
Nada disso. Nem vazio nem caos, o que estamos vivendo desde meados da década
de 80 é uma grande diminuição de investimentos públicos em mapeamento e um
pequeno impulso privado, isto é, os investimentos privados em mapeamento não
superaram as expectativas da política neoliberal imposta por diferentes
governos. Além do mais, não podemos nos esquecer que sem crescimento econômico
não há demanda por novos produtos cartográficos, ficam restritos a pequenos
projetos privados.
Este quadro, tem-se invertido paulatinamente dê 4 anos para cá. Haja vista os
projetos do PAC!!!
Temos um grande acervo cartográfico, se considerarmos nossas dimensões
territoriais. Entretanto, o que nos falta é uma política de atualização
sistemática desse acervo, isso é público e notório. Tecnologia para isso existe.
2) O Brasil que tem 1,3 % do território nacional mapeado na escala
> 1:25.000, realmente precisa deste mapeamento ?
Não estou convencido dê que necessitemos de um mapeamento na escala 1:25000.
Isso já foi discutido no passado e não vejo fatos novos que possam modificar
aquelas conclusões. Pelo contrário, as novas tecnologias disponíveis depõem
contra isso.
3) Qual sua opinião a respeito ? Estamos diante de uma mudança de
> paradigma ? Face as tecnologias disponíveis e as demandas dos
> usuários, você diria que não há mais espaço para a cartografia
> sistemática, da forma como a conhecemos ?
Estamos vivendo na cartografia mundial uma evolução imposta pelas novas
tecnologias da informação (Internet a principal delas), mas a forma de
construir os mapas não se alterou.
Hoje qualquer usuário pode construir seu próprio mapa, para tal, basta saber
manusear um programa de computador para tal fim. Logo, o nosso desafio é
fornecer subsídios par que esses produtos cartográficos gerados por diferentes
usuário tenham um certo padrão de qualidade.
A cartografia sistemática sempre existirá, através dos órgão como IBGE e a
DSG, isso não acabará, o que tem que mudar e a forma de relacionamento e
distribuição dos produtos sistemáticos para com o usuários, cobrar ou não pelo
“Download” de um arquivo digital atualizado compatível com diversos
aplicátivos e com metadados é extremamente necessário. O IBGE já adota essa
política, mas deve ampliá-la.
Como vêem defendo que o mapeamento sitemático continue nas mão do IBGE e da
DSG, só que com uma política mais ousada de atualização e disponibilização
pela Internet.
5) Dentro desta linha, os avanços das IDEs, permitem organizar os
> dados existentes e auxiliar a sepultar este conceitos antigos do
> governos ter que contratar projeto milionários para mapear o Brasil
> ? Você acha que não deve-se esperar mais por este tipo de projetos ?
> A solução é cada usuário fazer o seu mapa segundo um padrão de
> interoperabilidade e depois disponibiliza-los via os portais de geo
> para quem desejar usá-los ?
Exatamente, isso. com os Metadados. Não creio que tenhamos espaços para os
grandes investimentos públicos ou privados, eles serão pontuais e bastante
cirurgícos. O que eu acredito é na necessidade de uma definição de padrão de
interoperabilidade nacional que possa permitir uma ampla disponibilização
desses dados através da Internet. Não devemos deixar de levar em consideração
as potencialidades das tecnologias de códigos padronizados
(XML,SVG,PostgreSQL,PHP, etc), para viabilizar isso.
Temos que compreender que cartografia não é mais monopólio do cartógrafo ou
agrimensor, qualquer usuário pode construir seu próprio mapa, basta para isso,
que saiba manipular um programa para tal. Portanto, o desafio é procurar
garantir as condições de qualidade desses produtos gerados.
Com relação ao mapeamento de escala grande (1:10000 e superiores) a discussão
vai na mesma direção, definição de uma normatização que possa ser seguida
pelas empresas executoras desses produtos e acompanhada pelos contratantes, já
que o grande desafio é prover informações geoespaciais para as áreas urbanas
em constante transformações.
Queria ao final fazer uma proposta de discussão de uma política nacional de
atualização sistemática dos produtos cartográficos existentes.
Creio tudo isso já dá uma boa discussão!!!
Abraços…
Nelson Marisco
em 14 de Maio de 2008 @ 18:02 14.Rodrigo Nobrega ("Sal) disse:
Olá pessoal
Não quero tomar o tempo de ninguém, mas apenas expor mais um ponto de vista..
Sobre o tema proposto “Vamos mapear o Brasil”, concordo plenamente. Não posso concordar com a idéia de que mapas em escala 1:25.000 possam ser inadequados à necessidade nacional. Concordo que a disponibilização de ferramentas online baseadas na visualização de imagens de satélite troxe a tona a possibilidade de um usuário qualquer compor seus próprios mapas… mas devemos ter em mente que programas como os de Desenvolvimento Nacional devem contar não somente com a mera ilustração das áreas de interesse, mas com o conteúdo e o contexto oficializado destas áreas de interesse. Quanto a questão dos “vazios cartográficos”.. sim, existem. Há casos em que nos falta apenas o contexto atualizado, há casos em que falta a informação por completo (vide cartografia 1:25.000 do Vale do Jequitinhonha em MG ou mesmo uma cartografia 1:25.000 para apoiar o estudo das mudanças na cobretura do solo no projeto de transposição do Rio São Francisco.
Tomemos, por exemplo, as cartas oficiais 1:50.000 / 1:25.000 da região do Pontal do Paranapanema. Boas parte destas cartas, assim com a maioria das similares no territorio brasileiro foram obtidas em meio ao programa de mapeamento ostensivo, ainda no regime militar, décadas de 70 e 80. Nestas cartas (oficiais), constam inúmeras propriedades rurais com cafeicultura e algodão. Sabe-se que até pouco tempo a base da economia rural ali era a pecuária, e que hoje tem progressivamente perdido espaço para a cana de açucar. Vale também lembrar que a região foi e tem sido palco de mobilizações sociais em prol da reforma agrária. Esse cenário se repete em outras regiões do país, como por exemplo no triângulo mineiro.
Frente a estes fatos, como podemos imaginar a não utilização de cartas oficiais atualizadas para documentar e apoiar programas de desenvolvimento nacional? Como um juiz pode tomar a decisão correta sobre reitegração de posse se lhe falta em muitos casos socumentos históricos que comprovem a real utilização da propriedade. Como e o que será feito para integrar a base cartográfica que vem sendo levantada em campo das propriedades rurais? Por que não alavancar esses tópicos com o tema “vamos mapear o Brasil”? Vamos pensar nisso juntos!
Em meu ponto de vista, a questão dos novos paradigmas deve focar novas metodologias de obtenção destes documentos. Voltando ao exemplo acima, o programa que provoveu a cartografica ostensiva nacional do governo militar foi baseado no levantamento aerofotogramétrico, indiscutivelmente a solução técnica mais adequada para o propósito. O interessante é que boa parte desse recobrimento foi executado pela USAF Nos faltava tecnologia? executores? sinceramente não sei responder, mas que com certeza a realidade hoje seria diferente.
Para o mapeamento e respectiva atualização, temos que intender como novo paradigma o emprego de novos sensores orbitais e aerotransportados e, PRINCIPALMENTE a forma com que os dados serão processados. A tecnologia atual sua projeção futura nos tem incentivado a reduzir custos e aumentar a produtividade… Creio que essas são premissas que devem ser consideradas frente ao propósito “vamos mapear o Brasil”.
Estou convicto de que a idéia é válida e a oportunidade lançada é preciosa e em tempo. Temos reservas naturais, minérios e uma agricultura promissora. Precisamos estar preparados para sistematizar nossos processos, e isso certamente irá requerer cartografia.
em 21 de Maio de 2008 @ 20:58 15.Padronização cartográfica - Decretos « Sadeck - Geotecnologias disse:
[…] Aproveitando a deixa, gostaria de indicar a discussão sobre a pauta lançada pelo portal MundoGeo: Vamos Mapear o Brasil e pedir a contribuição dos leitores para o amadurecimento da idéia. O Brasil precisa de nós e nós precisamos da cartografia. […]
em 8 de Junho de 2008 @ 22:06 16.HGT - Adriano Huguet disse:
Seguindo o raciocínio dos comentários de número 8, 10 e 15; gostaria de iniciar de forma prática uma discussão sobre custos de mapeamento 1:10.000 em larga escala, e a capacidade ou interesse do estado em arcar com estes custos.
Como passo inicial para incrementar a quantidade de cartografia básica existente sobre o território nacional podemos citar os mapeamentos para geração de Orthofotos e Modelos de Altimetria.
Temos participado de projetos envolvendo o custo de R$100,00 por Km2, ou R$1,00 por hectare, para vôo e obtenção de orthofotos em escala de precisao 1:10000 PEC-A com pixel digital de 60cms.
Neste patamar de preco, poderiamos dizer a grosso modo, que um mapeamento em orthofoto de precisao 1:10000 PEC-A sobre 1% do territorio brasileiro custaria 8.5 milhoes de reais. Um recobrimento anual sucessivo sobre 20% do território, nesta precisão, custaria 170 milhões/ano e resolveria completamente a atual situação caótica em orthofotos que enfrentamos, pelo menos na escala citada.
Existe a tecnologia, existe a capacidade das empresas de sensoriamento em realizarem mapeamentos massiços, cabe agora aos Administradores Públicos a viabilização destes projetos de uso multi-finalitário, em oposição a atual política de mapeamento sobre pequenas áreas, a custos proporcionalmente superiores para uso restrito de uma instituição ou projeto.
Adriano Huguet
Diretor de Tecnologia
HGT Geoprocessamento
huguet@oi.com.br
em 16 de Junho de 2008 @ 18:28 17.Emerson Granemann disse:
Textos inéditos que serão publicados na InfoGEO de julho nr 53
Qual é o mapa que o Brasil precisa?
A discussão sobre o mapeamento do Brasil tomou novos rumos nos últimos dias, com o foco mudando para o tipo de mapa que o país realmente necessita. Sai de cena o mapeamento sistemático tradicional, e novos conceitos de padronização e de infraestrutura de dados espaciais passam a dominar o debate.
Com dezenas de mensagens sobre o assunto, a lista de discussão da Associação Brasileira de Engenheiros Cartógrafos – São Paulo (Abec-SP) foi a que mais se envolveu na questão do novo paradigma para a cartografia. Veja abaixo alguns comentários.
“Respondendo ao questionamento sobre o assunto “Vamos mapear o Brasil?”, quero informar que sou geógrafo, curso mestrado em engenharia civil e ambiental na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), e minha dissertação diz respeito a um mapeamento geoambiental da bacia do rio Jacaré, afluente do São Francisco que banha a região de Irecê, no interior da Bahia. A finalidade é analisar espacialmente a situação ambiental da bacia e gerar diversos mapas, desde o mais comum até o geoambiental. Também aproveito o ensejo para informar que a UEFS tem um mestrado em modelagem ambiental com diversos trabalhos sobre mapeamentos no Estado, e estou entrando em um grupo, também na Universidade, que irá realizar, entre outras atividades, mapeamento da desertificação na Bahia. Também temos um laboratório de geotecnologias que realiza diversos mapeamentos do município de Feira de Santana, com vistas ao planejamento, principalmente urbano. Agora, o Governo Estadual está realizando, via universidades públicas, a atualização dos planos diretores das bacias, o que irá gerar um novo mapeamento para todo o Estado.”
Carlos Ney
“Acho que o novo paradigma para a cartografia é a descentralização. Temos que incentivar que os Estados brasileiros tenham órgãos oficiais de cartografia. Sugiro que demos início ao “separatismo” da cartografia, cada Estado faz a sua cartografia, através da consolidação de seus órgãos oficiais de cartografia. Cada Estado deve ser responsável pelo mapeamento de seu território, pelo levantamento de suas propriedades rurais, pelo mapeamento de sua infraestrutura, etc.. Cartografia tem que ser sinônimo de desenvolvimento, de progresso, de organização, de eficiência, de esperança, de justiça. Tem que ser a base concreta para a elaboração de políticas públicas sérias, de respeito ao meio ambiente, de gestão territorial eficiente, do fim da obscuridade de falsos planejamentos. Os estados brasileiros que tiverem boas bases cartográficas e que as utilizarem sairão na frente, poderão atrair mais investimentos, os processos de licenciamento ambiental e jurídicos serão mais rápidos, poderá ter mais justiça tributária, conseguirá maior agilidade na implantação de infraestruturas, terá um sistema financeiro mais seguro, proporcionará melhores oportunidades aos seus cidadãos.”
Nilson C. Ferreira
“A título de informação, aqui no Espírito Santo está em andamento um projeto cartográfico que irá mapear todo o Estado na escala 1:15.000. Todos os produtos gerados nesse projeto (ortofotos, apoio terrestre, feições restituídas, etc.) serão de livre acesso a todos os interessados, sem restrições. Já é um começo. Vamos mapear o Brasil!”
José Carlos Batista
“Espero que os dados do Espírito Santo, após processados, analisados e representados, sejam realmente disponibilizados para o público em geral, e que haja um esforço dos demais Estados para realizar seus mapeamentos. Um detalhe importante: o Espírito Santo, nos últimos anos, cresce a taxas maiores que capitais como São Paulo, por exemplo.”
Joaquim Luiz Rodrigues Neto
em 16 de Junho de 2008 @ 18:30 18.Emerson Granemann disse:
Emerson Zanon Granemann é engenheiro cartógrafo, diretor e publisher da Editora MundoGEO”
Texto inédito que será publicado na InfoGEO de julho nr 53
A cartografia brasileira começa a ser repensada
A mobilização “Vamos mapear o Brasil?” está realmente agitando a comunidade. Apesar das inúmeras divergências, o ponto comum é que todos concordam que alguma coisa precisa ser feita.
Os mapas hoje são parte importante dos projetos de Tecnologia de Informação na gestão de grandes corporações públicas e privadas. Além disso, ferramentas como o Google Earth revolucionam a mente, tanto de crianças como de altos executivos.
O próprio conceito histórico do mapeamento sistemático vem sendo re-discutido dentro do IBGE, segundo relata o seu atual diretor de geociências, Luiz Paulo Fortes. Será que os usuários realmente precisam desses dados no formato que sonham muitos cartógrafos e empresários do setor?
Outro ponto são as responsabilidades. Deve-se apostar todas as fichas no governo federal, ou não seriam os estados os verdadeiros responsáveis por dinamizar os investimentos no setor? Assim, restaria a uma entidade reguladora central somente a definição de conceitos de padronização e de infraestrutura de dados espaciais, como a Comissão Nacional de Cartografia (Concar) já vem fazendo.
Mal ou bem, os projetos estão saindo do papel. Segundo o general Pedro Ronald Vieira, recém empossado na Diretoria do Serviço Geográfico (DSG), existe atualmente em curso um grande projeto de mapeamento da Amazônia, envolvendo várias instituições que atuam na região. Os recursos são significativos e passam de 300 milhões de reais, a serem usados nos próximos seis anos.
Fruto do debate, começam a ser melhor divulgados vários projetos estaduais e regionais de mapeamento. A descentralização da cartografia, como diz o cartógrafo Nilson Ferreira, do Espírito Santo, é uma realidade e pode ser considerada um novo paradigma do setor. O que faz falta é não termos no Brasil um mecanismo para inventariar e divulgar essas ações de forma sistemática.
Existem ausências sentidas nessas discussões, como as Universidades. Além da falta de iniciativa da maioria dos acadêmicos em manifestar suas opiniões, notamos uma quase inexistência de pesquisas aplicadas, que respondam perguntas freqüentes dos usuários. Não existe melhor lugar para que pudessem aparecer propostas para testar novos processos de mapeamento, em pequenas e grandes escalas. Pelas facilidades de linhas de financiamento para pesquisa, comparações entre soluções de outros países poderiam queimar etapas no Brasil, no momento de propor uma solução que, invariavelmente, envolve milhões de reais, muitas vezes de dinheiro público.
A produção de pesquisas e projetos é inegavelmente grande nas universidades no Brasil. O que é questionável é o número reduzido de projetos que atendam melhor às necessidades atuais da sociedade.
Outra ausência sentida é da Sociedade Brasileira de Cartografia (SBC). Nos últimos anos, só ouvimos falar dela quando está próximo da realização do seu congresso ou da festa de entrega das famosas condecorações.
A SBC deveria, através da sua direção, atualizar-se tecnologicamente e gerencialmente, e reconstruir sua imagem para, depois, manifestar-se para a comunidade. Não é o bastante para uma sociedade científica, de grande tradição, virar uma mera organizadora de congressos para um grupo cada vez mais restrito de profissionais. Prova disso é o crescimento de outros eventos afins, como o de sensoriamento remoto promovido pelo Inpe e outros promovidos pela UFPR, UFPE, Unesp, etc..
O ato de repensar a cartografia no Brasil deve seguir o mesmo caminho mundial. Os dados geográficos para aplicações, sejam elas convencionais, na internet ou móveis, devem atender não a cartógrafos, mas a seus usuários. Fica cada vez mais evidente e irreversível que, no processo de especificação, produção e representação cartográfica, existem espaços para agrimensores, cartógrafos, geógrafos e demais profissionais sérios que se especializaram no tema, e que os usuários das mais diversas formações é que vão dizer que tipo de mapa precisam, de forma compatível com a verba disponível.
Emerson Zanon Granemann é engenheiro cartógrafo, diretor e publisher da Editora MundoGEO
em 9 de Julho de 2008 @ 14:47 19.Emerson disse:
Oi Emerson
Bom dia!!!!
Emerson , pode colocar tudo isso em seu blog de MUNDOGEO.Meu amigo de 29 anos!!!
Naquele domingo tive um dia bastante atarefado, mas antes de dormir fui ler, com bastante calma, as “news” e qual não foi a minha surpresa, a respeito da DSG mapear a Amazônia na página 14 do O GLOBO de domingo último, ou seja dia 06/Jul./2008 com o apoio da Casa Civil da Presidência da República, leia-se Ministra Dilma Roussef.
Os ventos estão soprando a favor de nossa Cartografia, vou ver se tiro xerox da matéria e te mando pelo correio, pois é de página inteira, vou mandar para o Luiz de A MIRa também, pois êle também tem se movido nesta questão dos vazios cartográficos como o da Amazônia e de atualização do mapeamento sistemático brasileiro, que começaram com Você em nossa Lista Eletrônica e em suas Publicações InfoGeo, InfoGNSS.
Fico feliz por meu Ex-Aluno do IME (1991), o General Eng. Cart. Pedro Ronalt Vieira, atual Diretor da DSG, estar mobilizado nesta luta. Serão 20 mil cartas topográficas, geológicas e naúticas. Todos sabem que defendi por muitos anos o mapeamento da Região Amazônica, por Radar digital aerotransportado de abertura sintética, como alternativa cartográfica para a Amazônia em: Curitiba, Estocolmo, Lisboa, Niterói, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo,Vienna e Washington.
Seria muito bom que o nosso Colega Ronalt, ou algum de seus designados colocasse mais detalhes sobre este Projeto de Radiografia da Amazônia em nossa Lista Eletrônica. Nossa Comunidade Cartográfica desde já congratula-se com Êle e com a SPU. Precisamos conhecer melhor nosso Brasil, para o desenvolvimento sustentável e defesa do território.
Abraços Cariocas
Saudações Geocartográficas
Eliane Alves da Silva -Ex-Conselheira Regional - CREA-RJ/SENGE-RJ/Ex-CNACCEEAGRIs/CONFEA/IBGE/DGC/GDI